Jesus: Personagem Real, Mito Ou Arquétipo?

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Jesus: Personagem Real, Mito Ou Arquétipo?

Mensagem  Jorge_Murta em Dom Out 28, 2012 7:21 am

[Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]

A questão da existência histórica de Jesus é controvertida. Há os que defendem a existência de Jesus pelo simples motivo de que, na opinião dos que a defendem, de que um ser tão poderoso quanto Jesus não poderia deixar de existir e que a existência de Jesus está comprovada (?) pois está descrita pelos evangelistas nos 4 evangelhos sinóticos e de outro lado, os que defendem que Jesus não existiu de fato e apresentam evidências para tais afirmações, mas os que defendem a existência física de Jesus sequer admitem discutir os argumentos apresentados pelos que sustentam que Jesus não existiu, pois acham que admitir isso, seria heresia.

Indo pela vertente do Espiritismo, alguns – de mente catolicizada – diriam que o Mestre está relacionado na doutrina, a começar pelo Livro dos Espíritos e portanto, o Mestre Jesus existiu de fato, mas também sequer admitem discutir racionalmente a possibilidade dele não ter existido de fato, pois admitir isso, na visão deles, desmoronaria a “religião cristã espírita”. Nada mais falso, pois a doutrina espírita foi conceituada como sendo de “uma doutrina filosófica de bases cientificas e de conseqüências MORAIS”, mas... Jesus é citado constantemente no Evangelho Segundo o Espiritismo e no Livro dos Espíritos, principalmente, então ele existiu. Ledo engano, pois se parte de uma premissa errada (o fato de Jesus realmente estar citado nas obras básicas) para se chegar a uma conclusão não necessariamente verdadeira (Jesus ter realmente existido de carne e osso), pois o que há de fato, nas duas obras citadas, é o estudo da parte moral atribuídas a Jesus e não estudo da (in)existência de Jesus, estudo esse que tentamos realizar agora e para o qual é importante a participação desapaixonada de todos, para que possamos ensaiar a discussão do tópico: Jesus – Personagem Real, Mito Ou Arquétipo?

Iniciarei o artigo, analisando cada uma das 3 hipóteses, mas antes lembro que a proposta do artigo não é fechar questão sobre Jesus ter ou não existido de fato, mas apenas mostrar como se raciocina em cima de um tema abordando todos os aspectos nele envolvidos, sem paixões mas racionalmente:



1.1) Jesus como personagem real, de natureza semi-divina:

Esta afirmativa reflete a crença da maioria das religiões e crenças, a de que Jesus seria um ser ou que já foi criado perfeito ou que teria evoluído em linha reta (sem nunca ter errado), tese defendida pelo Roustainguismo e que esse ser que tanto na origem quanto na sua trajetória terrena, mais se assemelha a um X-Men, pois seria capaz de realizar feitos excepcionais, como multiplicar pães e peixes, andar sobre as águas, transformar água em vinho e outros. Boa parte desses fenômenos estão descritos na Gênese, de Kardec, porém nem todos se vêem com freqüência ou são relatados no nosso dia a dia e Kardec só apresentou as possibilidades segundo o espiritismo de fenômenos assim ocorrerem (mas não como exceção a regra). Além disso, a Gênese discorda de outro aspecto atribuído a Jesus semi-divino: o seu corpo fluídico, também falado por Roustaing.

E a justificativa para Jesus ter realizado tantos fenômenos super-hiper-ultra-mega excepcionais foi que ele era um espírito de altíssima envergadura, o Governador planetário, o maior espírito que pisou na Terra, etc...

1.2) Jesus como personagem real, de natureza humana:

Para esta afirmativa não encontramos evidencias históricas fidedignas, pois o fato de estar narrado nos evangelhos sinóticos que existiu um homem chamado Jesus não prova por si só, que ele tenha existido, como eu, você e nós aqui na Terra. Tampouco, Flávio Josefo, Tácito, Suetônio e outros historiadores antigos que são frequentemente citados como evidência de um Jesus histórico, de acordo com estes autores as histórias são derivadas, não originais e Josefo, o mais antigo desses autores, nasceu, no mínimo, cinco anos após a suposta morte de Jesus. Não há nenhum testemunho direto dos fatos. Além disso, os antigos relatos não-cristãos de Jesus foram escritos quando o Cristianismo já era generalizado e os livros de Josefo são questionados alguns parágrafos, que se supõe, foram mais tarde interpolações cristãs.


Se Jesus existiu de fato, ele foi uma pessoa, digamos revolucionária, para os costumes da época, pois o simples fato de falar de amor, perdão e caridade não mobilizaria o Sinédrio e muito menos o prefeito da província romana da Judéia, Poncio Pilatos, a crucificar um homem que só pregaria o amor e o perdão. NÃO BATE. Poncio Pilatos, que existiu realmente, tinha mais com o que se preocupar, como os levantes tão comuns entre os zelotes judeus, do que com um homem que pregasse o amor.


O que falarei agora será perigoso, principalmente para mim, pois mexe com as crenças de muitas pessoas, mas tenho que falar pois estou levantando todas as hipóteses que pude conseguir e que poucos ousaram pensar e discutir racionalmente e que se liga a hipótese 2. Para tornar a questão menos perigosa para mim, a exporei fazendo perguntas, segundo o Novo Testamento:

• Com quem Jesus foi apresentado ao povo por Pilatos, para decidir quem crucificar?
- Barrabás.


• E por que Barrabás foi exposto como opção junto com Jesus?
- Por que Barrabás era um zelote (Zeloso em nome de Deus), facção que se opunha e resistia ao domínio romano.


• Qual era o primeiro nome de Barrabás?
- Também era Jesus.


• E o que significa “Barrabás”?
- Literalmente significa “FILHO DO PAI”, que como sabemos era o apodo que davam a Jesus, que sempre começava suas orações por “Abba”, que quer dizer PAI, e o uso de "barabbas" ou "Bar-abbas" não parece ter sido um nome comum em dita época.


O Novo Testamento apresenta Barrabás como:
1. Marcos e Lucas dizem que ele era um homem que estava encarcerado por ter participado em um motim no que se tinha cometido um homicídio (Mc 15,7; Lc 23,19).

2. João indica que era um bandoleiro (Jo 18, 40)

3. Mateus refere-se a ele singelamente como "um preso famoso" (Mt 27, 16).
Segundo esta hipótese, quando a multidão em Jerusalém exigiu a Pilatos que desse liberdade a "Bar Abba" (Barrabás) era a liberdade do mesmo Jesus a que pediam.


A teoria recebe muito forte apoio de manuscritos provenientes de Cesaréia, do Sinaí, da Síria, etc., e de alguns manuscritos usados por Orígenes. Ditos manuscritos chamam ao suposto "Barrabás" Iesous Ton Barabban, isto é Jesus Bar Abba ou Jesus Filho do Pai.

Outro aspecto conflitante é o costume mencionado nos evangelhos de libertar a um prisioneiro durante a Páscoa.. Os mesmos não estão de acordo em se era um costume hebreu ou romano, mas em nenhum dos dois casos se encontraram outros registros históricos que confirmassem a existência de dita costume.

Os registros históricos que se possuem sobre Poncio Pilatos mostram um desprezo pela terra em onde governava, que considerava uma província menor do Império Romano, e a possibilidade de que honrasse uma tradição judia seria remota. Poderia ser possível que Pilatos criasse no momento uma suposta tradição como desculpa para não crucificar a um líder popular e não se expor a motivar rebeliões, mas os evangelhos não o retratam como se tivesse a situação baixo controle.

2) Jesus como um mito criado pela Igreja Católica Apóstolica Romana:

Começo essa hipótese bem real por onde terminei a hipótese anterior.

Existem várias leituras sobre os possíveis motivos pelos quais Jesus e Barrabás, apesar de terem sido a mesma pessoa, teriam terminado como duas pessoas diferentes. Uma interpretação propõe que teria sido responsabilidade de elementos anti-semitas na igreja, que ao dirigir a petição de liberdade para uma pessoa retratada como reprovável coloca no judaísmo a responsabilidade pela crucificação.

É possível também que a história se retratara assim para retirar a culpa do Império Romano pelos eventos. Isto último ter-se-ia feito para facilitar a introdução do cristianismo entre os romanos, já que de outra forma para um romano aceitar que Jesus fosse o messias implicaria aceitar também que o Império teria matado ao filho de Deus.

A traição de Judas serviria também como elemento para re-dirigir a culpa.

Outras evidências que apóiam a tese de que Jesus seria um mito criado pela ICAR seria o fato de que a igreja católica nascente, apropriou-se de termos e crenças de religiões pagãs bem anteriores ao cristianismo, tais quais egípcios, persas, gregos e romanos, como forma de cooptar adeptos para a religião nascente e também como modo de enfraquecer as outras religiões. Exemplos:

A história do salvador nascido de uma virgem e tentativas de matá-lo quando criança.

Sua morte e ressurreição (em vários casos, no terceiro dia).
Céu, inferno e juízo final (que não existiam no judaísmo original).
Petra, no mitraísmo e no “Livro dos Mortos” egípicio, era o guardião das chaves do céu. O mitraísmo também denominava Petra a um rochedo considerado sagrado.

A última ceia, frequentemente com uma bebida e um alimento que representavam o corpo e o sangue de algum deus.

A estrela guia elemento freqüente em lendas e mitologias antigas.
Nascimentos de forma virginal, mortes por meio de sacrifícios, sangue que "purifica" e abençoa, ressurreições, e sua herança o amor incondicional ao Criador de todas as coisas; amor que se manifesta amando as criaturas.

E indo um pouco mais fundo nas origens (mesmo) do catolicismo, temos:

Hórus (egípcio) 3000 a.C.

*Nasceu dia 25 de dezembro;
*Nascimento espetacular, a deusa Ísis-Meri com Osíris;
*Nascimento acompanhado por uma estrela a Leste;
*Estrela seguida por três reis;
*Aos 12 anos, era uma criança prodígio;
*Batizado aos 30 anos;
*Começou seu ministério aos 30;
*Tinha 12 discípulos e viajou com eles;
*Operou milagres e andou sobre as águas;
*Era chamado de Filho de Deus, Luz do Mundo, A Verdade, Filho adorado de Deus, Bom Pastor, Cordeiro de Deus, etc;
*Foi traído, crucificado, enterrado e ressuscitou 3 dias depois.

Attis (Frígia – Roma) 1200 a.C.


*Nasceu dia 25 de dezembro;
*Nasceu de uma virgem;
*Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
*Ressuscitou no 3º dia

Krishna (hindu – índia) 900 a.C

*Nasceu dia 25 de dezembro;
*Nasceu de uma virgem;
*Uma estrela avisou a sua chegada;
*Fez milagres;
*Após morrer, ressuscitou
Tamuz:

* deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.

Mitra: séc. I a.C.


* Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol.
* Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem.
* Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro.
* Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual.
* Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso.
* Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman.
* Era considerado um professor e um grande mestre viajante.
* Era identificado com o leão e o cordeiro.
* Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã.
* Teve doze companheiros ou discípulos.
* Executava milagres.

* Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez.
* Ressuscitou no terceiro dia;

Buda: séc. V a.C

.* Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê.
* Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual.
* Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava.
* Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60).
* Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um filho pródigo.
* A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka).
* Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo.
* Após sua morte, ressuscitou. (apenas na tradição chinesa)


Baco / Dionísio: séc. II a.C.


* Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus)
* Quando criança, quiseram matá-lo.
* Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes.
* Após a morte, ressuscitou;
* Era chamado de “Filho pródigo” de Zeus

Hércules: séc. II a.C.

*Nascido da virgem Alcmena, que foi fecundada por Zeus
* Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro.
* Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal (Hera, a ciumenta esposa de Zeus).
* A causadora de sua morte (sua esposa) se arrepende e se mata enforcada.
* Estão presentes no momento de sua morte sua mãe e seu discípulo mais amado (Hylas).
* Sua morte é acompanhada por um terremoto e um eclipse do Sol.
* Após sua morte, ressuscitou, ascendendo aos céus.
Para ficarmos apenas nos plágios da Igreja Católica para criar um Jesus mítico, por que a escolha do dia 25 de dezembro para o nascimento de Jesus?

Simples. Por que essa data, representava o solstício de inverno no hemisfério norte e teria sido nessa data, na qual era comemorada em Roma a Saturnalia, e teria sido nessa data em que teria nascido o deus persa Mitra, o qual era cultuado nesse dia, bem como outras divindades pagãs. Houve então, com a introdução do cristianismo no Império Romano, por parte da Igreja Católica, uma tentativa de cristianizar os festivais "pagãos". Há indícios de que a data de 25 de dezembro foi escolhida para representar o nascimento de Cristo já no século IV. Há evidência bíblica de que Jesus não teria nascido durante o inverno, pois, no momento do nascimento, pastores estavam cuidando de seus rebanhos nas vigílias da noite, e o período do solstício, visto como o renascimento do Sol, carrega forte representatividade. Além disso, conseguiu aproveitar a popularidade das festividades da época.

3) Jesus como arquétipo do ser humano a alcançar:


A palavra arquétipo deriva de archetype que significa tipo original ou modelo primitivo. Carl Gustav Jung (1875-1961) utilizou o termo como sendo o modelo básico do comportamento instintivo, ou ainda como um modo do comportamento psíquico. Eles, os arquétipos, fazem parte da estrutura psíquica, sendo elementos determinantes coletivos do comportamento humano, constituindo-se em tendências comuns. Portanto, nossos comportamentos são regidos pelos arquétipos. Podemos percebê-los indiretamente nos mitos, contos de fadas e, principalmente, nos sonhos.

Seu uso na Psicologia se deve a Jung, que o fez inicialmente no Século XX, aplicando-o apropriadamente em toda a sua obra. Porém podemos encontrar o termo muito antes de Jung tê-lo feito, em O Livro dos Espíritos. Na questão 1009, que trata do tempo das penas impostas aos espíritos, encontraremos uma resposta-mensagem, dada por Paulo, o apóstolo, que afirma o erro de se acreditar no inferno, dizendo o seguinte, num de seus parágrafos: “Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus Cristo.”

E retornando a definição de arquétipo, apresentada no inicio dessa hipótese 3, pergunto: será que a pergunta 625 e sua resposta não se referiria a uma questão arquetípica, já que a definição é “significa tipo original ou modelo primitivo”? E a questao 625 indaga:

- Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo?” E os espíritos responderam, simplesmente: – Jesus.


Logo, para mim, por todas essas evidencias, Jesus pode ter sido um personagem real de carne e osso, Barrabas talvez (embora nem mesmo a existência de Barrabas tenha sido provada, por isso eu disse “pode ter sido”), foi um mito criado pela ICAR e é um arquétipo (um modelo) e, portanto, no caso de Jesus não ter existido de fato, isso não altera em nada o espiritismo, pois este não está atrelado a Jesus e sim – notem a diferença – a moral do Cristo que não é outra senão a moral espírita.
avatar
Jorge_Murta
Admin
Admin

Mensagens : 27
Data de inscrição : 20/09/2012
Idade : 54

http://espiritismocomprofundidade.blogspot.com/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum